Há pouco tempo ouvi falar numa notícia sobre o endividamento das famílias em Portugal (leia-se: cidadão comum) que me alarmou. Aproveitei essa curiosidade para fazer uma pesquisa sobre a evolução desse endividamento familiar (EF) e verifiquei que tem vindo a aumentar. Mas pior que isso, o endividamento familiar parece ter sido apanhado na armadilha dos juros baixos na zona euro que em 2003 eram de 2% e agora já estão nos 4% com tendência para aumentar.
A sequência é esta: em finais de 2003 o EF era de 110% do rendimento disponível (com uma taxa de juro de 2% na zona euro), em 2004 o EF passou para 118% do rendimento disponível e em finais de 2006 o EF já atingia uns 124% do rendimento disponível. Para nuitos portugueses, especialmente aqueles com créditos de habitação e créditos ao consumo, esta deterioração financeira está a levá-los à bancarrota (eu ouvi falar na TV que 20% dos portugueses tinham problemas financeiros graves, por não conseguir pagar de volta os créditos ao banco). “No final do ano, os bancos tinham quase 115 mil milhões de euros emprestados às famílias. A maior parte da verba foi investida na compra de habitação.” (TVI)
Esta situação agrava-se pela perda de empregos e o encerramento de empresa nos sectores industrial e agrícola (sempre os maiores produtores de riqueza), que seriam as pernas de qualquer sério projecto de desenvolvimento nacional.
O consumismo desenfreado
“Mesmo com a actual subida de taxas de juro, as famílias portuguesas não têm problemas em apostar numa autêntica corrida ao crédito para consumo. É o que mostram os dados do boletim estatístico do Banco de Portugal, ontem divulgado: em Fevereiro, o crédito ao consumo avançou a um ritmo anual de 12%, o valor mais elevado desde final de 2001, pelo menos. Esta expansão permitiu a este tipo de empréstimos, onde os bancos praticam margens (’spreads’ das taxas de juro) mais elevadas, ganharem peso no total do crédito ao consumo concedido a particulares, atingindo os 10% do total em Fevereiro, um máximo de dois anos. No final de Fevereiro, o endividamento das famílias por motivos de consumo valia 11 mil milhões de euros. O crédito para compra de casa continua a deter a parte de leão, representando quase 80% do total, e evoluíndo à razão de 9,4% ao ano. Em todo o caso, a tendência é de desaceleração, ligeira, tendo vindo a prolongar-se desde início de 2003.” (Diário Económico)
De onde vem o dinheiro?
“O endividamento de Portugal junto do exterior está a progredir a um ritmo imparável, tendo atingido quase 80% da riqueza criada (Produto Interno Bruto) no final de 2006, o valor mais alto de uma década. Este número reflecte, em boa parte, o grau de exposição da economia ao exterior, a falta de competitividade das empresas, a incapacidade em gerar riqueza suficiente para reinvestir e o enorme apetite dos portugueses por bens importados. Mostra também que tipo de internacionalização vingou no país. No caso em apreço, os interesses do exterior em Portugal suplantam os nacionais lá fora em mais de 122,4 mil milhões de euros. A esta captura de riqueza por parte dos agentes económicos estrangeiros chama-se défice da posição de investimento internacional, um desequilíbrio que hoje vale cerca de 80% do PIB, oito vezes mais do que em 1996.” (Diário Económico)
Quase metade das famílias portuguesas – exactamente 47% – passou por uma situação de pobreza pelo menos durante um ano entre 1995 e 2000(…).
Há mais alguns dados complementares do estudo igualmente preocupantes: das famílias que estiveram em situação de pobreza, 72% acharam-se nessa condição durante dois ou mais anos. No mesmo universo, 40% tinham os seus membros empregados – ou por conta própria ou por conta de outrem – enquanto outros 30% dessas famílias eram de pensionistas.
(nota da Tasca) O estudo só vai até ao ano 2000. Desde essa data a economia portuguesa tem piorado. Qual será a percentagem actual?…
Fonte: Dinheiro Digital e a tasca do teixeira (blogue)
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
Segunda, 17 Outubro 2005MANIFESTOEste manifesto surge no âmbito dos compromissos assumidos pela União Europeia, em 2000, nas Cimeiras de Lisboa e Nice, e aproveita a onda mobilizadora da campanha mundial Global Call for Action Against Poverty, que em Portugal tem o nome de PobrezaZero (www.pobrezazero.org), para afirmar que o relegar para o passado da pobreza no mundo, passa necessariamente pela sua erradicação em Portugal.
A pobreza, em Portugal, é um problema social grave e o seu não reconhecimento tem-se revelado, ultimamente, um dos maiores entraves à sua erradicação.
Mas o facto é que
1 em cada 5 portugueses vive no limiar da pobreza (21% da população total)
12.4% da população activa (5531.6) ganha o salário mínimo nacional (374,7€)*
7,2 % da população activa está desempregada; em 2003, mais de 5000 trabalhadores tiveram o seu trabalho reduzido ou suspenso;*
26,3% dos reformados recebe menos de 200€/mês de reforma*
147 332 recebem o Rendimento Social de Inclusão (151,84€)*
79,4% da população activa não terminou o ensino secundário*
45,5% da população, em idade escolar, abandona de forma precoce a escola*
Taxa de Analfabetismo, em 2001, era 9,0% da população*
300 mil famílias (8% da população) viviam, em 2001, em habitações sem condições mínimas
Em relação aos dados de 1999 e 2000, há um agravamento de 20 a 25% da situação de pessoas sem-abrigo*
A taxa de Analfabetismo, em 2001, era de 11,5% para as mulheres e de 6,3% para os homens*
Os homens ganham mais 9% do que as mulheres*
A taxa de Desemprego, em 2002, era de 55,2% para o género feminino*
Em 2004, 240 730 mil eram famílias monoparentais femininas, num universo total de 275 826 mil*
Em 2003, 69% da população dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, seram mulheres*
Por outro lado
As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto Nacional – 22.4 mil milhões de euros
O país tem a pior distribuição de riqueza no seio da União Europeia com os 20% mais ricos a controlar 45.9 por cento da rendimento nacional
10 800 pessoas têm rendimentos de cerca de 816 mil euros anuais*
Em 2001, a Segurança Social gastou com cada português apenas 56,9% do que habitualmente gastam os outros países da União Europeia*
Apelamos ao poder político e económico que reconheça o fenómeno da pobreza como um terrível problema social e que, com a sociedade civil, encontre soluções adequadas para a sua progressiva erradicação.
Por isso propomos
A criação de um Grupo de Trabalho Permanente, entre a Sociedade Civil organizada, empresas e grupos parlamentares, para o cumprimento dos direitos e garantias consignadas, não só na Constituição Portuguesa, mas também nas Convenções internacionais.
A criação de um Grupo de Trabalho Permanente, entre a sociedade civil organizada e os Meios de Comunicação Social, de forma a debater, já no próximo ano, a situação dos 20% mais pobres, em Portugal, e a distribuição da riqueza, em Portugal e no mundo.
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* INE
* Ministério do Trabalho e da Segurança Social, Julho de 2005
* INE
* Ibid.
* Ibid.
Edição Especial, Revista Exame 2005
Relatório do Desenvolvimento Humano 2005 – Cooperação Internacional numa Encruzilhada: Ajuda, Comércio e Segurança num Mundo Desigual, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 2005
* 2005 World Wealth Report, Capgemini e Merrill Lynch 2005
* 2005 World Wealth Report, Capgemini e Merrill Lynch 2005
Eurostat
* IIESS, IP Unidade de Estatística
* INE; FEANTSA, Isabel Baptista, November 2004
* INE
* IIESS, IP Unidade de Estatística
* 2005 World Wealth Report, Capgemini e Merrill Lynch 2005
* Ibid.
* INE
* FEANTSA, November 2004
Fonte: Oikos
http://www.oikos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=140&Itemid=114
2006: poder de compra dos salários teve pior queda
08-Mai-2007O poder de compra dos trabalhadores por conta de outrem teve a maior queda dos últimos 22 anos em 2006 em Portugal, informa o jornal Público, baseando-se em dados da Comissão Europeia. De acordo com o relatório divulgado ontem, os salários reais portugueses caíram 0,9% no ano passado. É necessário recuar ao ano de 1984 para encontrar uma evolução mais negativa do poder de compra dos portugueses.
Durante o ano passado, de acordo com os dados da Comissão Europeia, os salários nominais aumentaram 2,4 por cento, um abrandamento face aos 2,9 por cento de 2005. Esta situação foi ainda agravada pelo facto de a inflação ter acelerado de um ano para o outro. Nem na crise de 1993, nem em 2003, o último ano de recessão, as remunerações dos trabalhadores foram tão penalizadas.
Para o presente ano e para o próximo, as previsões de Bruxelas apontam para uma subida moderada dos salários reais (0,4% em 2007 e 0,5% em 2008). Apesar da moderação salarial, a competitividade portuguesa face aos seus parceiros europeus em termos de custos deverá manter uma tendência negativa.
Fonte: Bloco de Esquerda e outros
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=2735&Itemid=28
http://pt.altermedia.info/geral/estamos-a-perder-poder-de-compra_401.html
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=806118&div_id=291